André Gelfi

Especialista brasileiro em iGaming e apostas esportivas, com atuação focada em regulamentação, análise de mercado e promoção do jogo responsável no setor de apostas online.
André Gelfi é especialista em iGaming e apostas esportivas no Brasil, com sólida experiência em análise de mercado, regulamentação e promoção do jogo responsável. Sua atuação se destaca pela combinação entre vivência prática no setor privado e liderança em iniciativas institucionais que visam desenvolver um ambiente de apostas online mais seguro, transparente e sustentável.

De onde eu vim e por que escolhi estudar o jogo (apostas) “por dentro”

Eu sou o André Gelfi. Ao longo da minha trajetória, eu me tornei uma pessoa conhecida no setor de Gaming & Betting no Brasil por um motivo simples: eu vivo esse mercado “por dentro”, mas decidi que não bastava operar e crescer — era preciso entender, medir e construir responsabilidade.

Minha carreira se consolidou em um ambiente onde quase tudo muda rápido: tecnologia, comportamento do consumidor, regulamentação, publicidade, pagamentos, e sobretudo a confiança social. E foi justamente essa instabilidade que me aproximou de um tema que, para mim, não é acessório: jogo responsável.

Em 2023, eu ajudei a fundar o IBJR — Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, que nasceu com o propósito de apoiar a construção de um ecossistema íntegro, sustentável e responsável para as apostas online no país.O instituto foi fundado em 2023 e se posiciona como representante de uma grande fatia do mercado regulado, reunindo empresas do Brasil e do mundo para defender regras claras e práticas responsáveis.

Eu também tenho atuação executiva no setor privado (incluindo operação ligada à Betsson Group no Brasil) e experiência em outras empresas do segmento, como Suaposta e Codere — vivência que me deu repertório para comparar mercados, maturidades regulatórias e modelos de proteção ao jogador.

Ao longo desse percurso, também passei a analisar de forma mais aprofundada o impacto de jogos específicos que ganharam enorme visibilidade no Brasil, como o slot Fortune Tiger, conhecido popularmente como “jogo do tigrinho”. Meu interesse não esteve no produto em si apenas como entretenimento digital, mas no fenômeno que ele representa: crescimento acelerado, viralização nas redes sociais, uso por plataformas reguladas e, principalmente, exploração indevida por operadores ilegais.

Estudar o caso Fortune Tiger me permitiu observar como um único título pode influenciar comportamento do consumidor, percepção pública sobre apostas e até debates políticos sobre regulamentação. Esse tipo de análise reforçou minha convicção de que produtos populares precisam estar inseridos em um ambiente regulado, com mecanismos de proteção ao jogador, transparência e fiscalização efetiva.

Quando eu olho para trás, faz sentido que eu tenha me tornado um “insistente” defensor de dados e evidências. Porque, em apostas e jogos online, opinião sem métrica vira barulho. E barulho, nesse tema, custa caro: pode custar credibilidade do mercado, pode custar proteção do consumidor, pode custar arrecadação pública, pode custar até integridade do esporte quando o ilegal toma espaço.

É por isso que eu passei a priorizar um eixo na minha atuação pública: transformar o debate sobre bets — incluindo fenômenos como o Fortune Tiger — em um debate com números, diagnósticos e propostas — e não apenas com moralismos, mitos ou generalizações.

IBJR (2023–…): o trabalho institucional e o foco em evidências

O IBJR não nasceu como um “selo bonito”. Ele nasceu como uma tentativa de organizar um setor que, por muitos anos, foi tratado de forma ambígua: presente no cotidiano, mas sem o arcabouço regulatório e institucional necessário. A frase “Pra jogar, tem que ter regra” resume bem a lógica do que defendemos: mercado regulado, fiscalização, proteção ao consumidor e combate ao ilegal.

Meus anos de liderança no IBJR

Eu fui fundador e atuei como diretor-presidente do instituto por um ciclo que eu mesmo descrevi como “dois anos” de desafios e conquistas, encerrando meu mandato com a sensação de avanço em direção a um setor mais responsável e sustentável.
(Como o próprio mercado ainda é jovem em termos regulatórios, eu encaro esse período como um “primeiro capítulo” — a base.)

O que eu considero “pesquisa” nesse contexto

Quando falamos em “pesquisa sobre gambling” no Brasil, nem sempre estamos falando de estudos clínicos (isso é crucial, mas é outro recorte). No meu caso e no caso do IBJR, o eixo de pesquisa é frequentemente:

  • dimensionamento do mercado (regulado vs. ilegal),

  • impacto fiscal,

  • comportamento do apostador,

  • riscos de integridade e fraude,

  • educação do consumidor e boas práticas.

Não é uma pesquisa para “passar pano” no setor — é pesquisa para enxergar onde dói e propor mecanismo de correção.

Estudos e levantamentos associados ao IBJR (com dados divulgados)

Um exemplo claro do tipo de trabalho baseado em evidências é o debate sobre ilegalidade. O IBJR divulgou conteúdos e materiais indicando que o mercado ilegal pode ser enorme e que isso amplia risco ao consumidor e ao esporte.

Há um conjunto de publicações em que aparecem estimativas de que o setor irregular pode representar 41% a 51% do mercado e que a perda anual de arrecadação pode chegar a R$ 10,8 bilhões — números atribuídos a estudos com participação de consultoria econômica e base de pesquisa de opinião (ex.: Instituto Locomotiva + LCA).

Também houve a divulgação de pesquisa sobre incidência de apostas ilegais com detalhamento de perfis e lista de plataformas irregulares consideradas na análise.

Outro ponto de interesse público foi o debate sobre apostas e orçamento familiar. Uma análise citada publicamente indica que os gastos com jogos representam uma fração do consumo total familiar e do PIB (e que não haveria evidência de “crise sistêmica” de endividamento causada por apostas). Esse tipo de discussão apareceu tanto em páginas do próprio instituto quanto em cobertura jornalística.

O que eu tiro disso tudo? Que o debate sério sobre gambling precisa separar três coisas:

  1. o regulado, onde existe trilha de auditoria, KYC, políticas e obrigações;

  2. o ilegal, onde há risco de fraude, manipulação, ausência de proteção e evasão;

  3. a saúde pública, que precisa de monitoramento e mecanismos reais de cuidado — e não apenas slogans.

Entrevistas, debates e palestras: onde eu fui a público (e por quê)

Eu costumo dizer que “mercado regulado não se constrói só com lei”: ele se constrói também com conversa pública qualificada. Por isso, eu participei de entrevistas e eventos para explicar o setor e defender práticas de responsabilidade.

Entrevistas e aparições públicas

  • Uma entrevista pública sobre o tema foi a Poder Entrevista, em que eu apareço identificado como fundador do IBJR.

  • Também houve entrevistas e análises em vídeo abordando temas como risco de medidas fiscais favorecendo ilegalidade, em que eu apareço como conselheiro/fundador do IBJR.

  • Em imprensa de negócios, há entrevista comigo tratando de como a regulamentação pode impactar o setor e reduzir o número de casas ao longo do tempo.

Palestras e agenda de eventos (exemplos)

Eu participei/constei como palestrante em agendas de conferência do setor, como o SBC Summit Rio 2024 (agenda oficial com meu nome e cargo) e outros encontros ligados ao ecossistema latino-americano.
Também apareço em cobertura do SBC Summit Rio 2025, novamente como palestrante confirmado.

Em ambientes mais jurídicos e institucionais, eu também estive em debates que colocam o jogo responsável no centro — por exemplo, um evento promovido pela OAB SP com painel específico sobre “Jogo Responsável, Desafios e Perspectivas”, no qual meu nome aparece como participante.

E, no campo de discussão regulatória mais ampla, também houve participação ligada a seminário do IREE (“Apostando no Brasil – Por uma regulação digna de jogos e apostas”).

O que eu defendo quando subo ao palco

Eu não uso palco para vender “milagre de aposta”. Eu uso palco para repetir o essencial:

  • proteção ao jogador precisa ser política e tecnologia, não só discurso;

  • publicidade precisa de limites e responsabilidade;

  • combate ao ilegal é uma agenda de proteção social e fiscal;

  • integridade esportiva exige colaboração entre operadores, federações e Estado.

Essa linha aparece de forma consistente quando eu falo sobre o sentido do IBJR e o papel de quem está “no mercado” em assumir responsabilidade como cidadão e liderança setorial.

Minha visão sobre “pesquisa aplicada” em gambling

Eu considero que a parte mais importante do meu trabalho, no recorte “estudos”, é impulsionar uma cultura onde decisões não sejam tomadas com base em susto ou em manchete, mas em:

  • dimensionamento de problemas (ex.: ilegalidade),

  • indicadores de risco (fraude, manipulação, vulnerabilidade do usuário),

  • medidas concretas (KYC, limites, autoexclusão, verificação, canais de ajuda),

  • avaliação de impacto (o que melhora, o que piora, o que desloca para o ilegal).

Linha do tempo resumida (com anos verificáveis)

  • 2023 — fundação do IBJR.

  • 2024 — participação em agenda e debates do setor (ex.: conferências e seminários ligados a regulação).

  • 2025 — debates sobre regulamentação e efeitos esperados; divulgação de estudos/levantamentos associados ao tema do mercado ilegal e impacto fiscal; presença em imprensa e eventos.

  • 2025 (OAB SP) — participação em debate institucional sobre “jogo responsável”.

  • “dois anos” de ciclo de liderança no IBJR — mencionado por mim em postagem pública ao encerrar mandato.

Fechamento: por que eu insisto em “responsabilidade” num mercado que só quer crescer

Se eu pudesse resumir meu papel em uma frase, seria esta: eu trabalho para que o crescimento do mercado de apostas no Brasil não dependa de improviso — dependa de regra, evidência e proteção.

Eu entendo as críticas ao setor. Algumas são legítimas e devem ser levadas a sério — especialmente quando tratamos de vulnerabilidade, compulsão e dano social. Mas eu também sei que, quando a crítica é genérica e a solução vira proibição sem execução, o resultado costuma ser previsível: o ilegal agradece.

Por isso, eu continuo defendendo a agenda que eu ajudei a colocar de pé com o IBJR: um mercado regulado que dá previsibilidade, impõe obrigações, abre espaço para fiscalização e cria condições reais para um ecossistema mais seguro.

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